Parabéns à Universidade de Coimbra!

Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra— Entrada Principal.

Já pertenci à universidade de Coimbra. Não fui lá estudante, mas, tendo-me decidido pelo prosseguimento da minha carreira científica, foi o Departamento de Matemática desta universidade que elegi para fazer o meu [primeiro] pós-doutoramento.

A minha passagem por esta universidade e pela cidade estará, para sempre, tatuada nas minhas memórias por vários motivos. Lembro-me com alegria do primeiro dia que entrei no departamento e pus a chave na porta da minha sala. Lembro-me com carinho de todos os docentes e funcionários desta casa, que me acolheram como se fosse um filho desta casa, carinho com que sempre me trataram, e com o sorriso nos lábios que sempre tinham para retribuir. Pelo exemplo de profissionalismo que sempre incutiam na sua tomada de decisões, mesmo as mais difíceis.

No dia em que tive de entregar as chaves da minha sala, fiz um enorme esforço para não verter uma lágrima sequer. Não porque não tivesse vontade de o fazer. Mas porque quis que este momento fosse o mais normal possível, dentro da lógica com que já tinha mencionado num outro post:

O prestígio das instituições que representamos deve estar sempre à frente das nossas ambições pessoais. Nós passamos. As instituições ficam. É assim que está certo.

Hoje, dia 01 de março de 2015, a Universidade de Coimbra está de parabéns pelos seus 725 anos. Passei por lá apenas 3 anos (2010-2013) . O tempo suficiente para sentir uma certa nostalgia por um dia regressar a esta instituição. Não nos próximos tempos. Mas daqui a uns valentes anos. Quem sabe …

Velho Ano, Novo Ano.

O velho ano está quase a terminar. Não sendo um ano que considere repleto de realizações, foi um ano que serviu para preparar o que aí vem.

Tive a oportunidade rever velhos conhecidos. Tive também a oportunidade de conhecer novas pessoas e de desenhar futuras parcerias científicas. Mesmo em modo solitário — foi a minha opção pessoal — tive ainda a oportunidade de fazer novas amizades. Amizades essas que ajudaram a superar a distância que me separa de casa. Tive também a oportunidade de adotar novos hábitos como o de voltar a pedalar e de experimentar novos passatempos como o de assistir ao vivo a partidas de ténis.

Em síntese, foi um ano de reciclagem e de aprendizado, onde tive a oportunidade de enterrar vários machados de guerra. Ao fim de alguns anos, consegui encontrar alguma paz interior. Paz essa que me tem permitido enfrentar os desafios comuns do dia-a-dia com grande serenidade.

Amanhã virá o novo ano. Não sei exatamente o que este me reserva. Quero apenas, nos momentos que o antecedem, degustar as doze passas [de uva] a que tenho direito, e saborear uma taça de espumante bruto. Enfim, celebrar a vida, e confiar que o melhor ainda está para vir.

Um brinde ao Novo Ano!

Sampa

Estive em São Paulo no passado final de semana para assistir a uma jornada da Taça Davis que pôs frente-a-frente Brasil e Espanha (Uma vitória histórica do Brasil frente à Espanha, diga-se de passagem). Por acordo mútuo com o meu colega (e amigo) de instituto decidiu-se que não se iria usar transportes públicos entre o hotel e o pavilhão. Ao invés, optámos por fazer uma caminhada de cerca de 40 minutos entre o hotel e o pavilhão onde decorriam os jogos. Mesmo contrariado, acabei por dar a mão à palmatória e de reconhecer que esta foi a melhor opção para conhecer um pouco da cidade. Pelo caminho acabámos por cruzar o parque de Ibirapuera (a foto de Instagram acima partilhada).

O parque de Ibirapuera fica localizado no coração da cidade e encontra-se próximo de Congonhas, um dos aeroportos de Sampa. Para além de ter ciclovias para uso exclusivo de ciclistas, skaters e afins, possui também umas trilhas bem interessantes para experimentar de BTT. 

Por momentos pus-me a imaginar como seria a cidade de São Paulo sem carros no centro da cidade.  Uma cidade onde se podia vaguear livremente e de forma serena por entre a multidão, acompanhado por boa música, bons livros ou simplesmente, por bons amigos.

Infelizmente uma pseudo-elite paulistana não partilha da mesma opinião. Recorre, inclusivé, a discriminação negativa para se opor à recente introdução de ciclovias por parte da prefeitura de São Paulo. Esta é a mesma pseudo-elite que critica o excesso de tráfego para entrar e sair da cidade em hora de ponta. E a mesma que se queixa de perder demasiado tempo entre casa e trabalho. Diga-se de passagem que foi o trânsito oneroso de Sampa o verdadeiro mote para os protestos do Movimento Passe Livre durante o ano passado.

Depois desta experiência faço intenção de voltar à grande metrópole, mas de bike. Mesmo sabendo à priori que existe uma grande incidência de acidentes envolvendo ciclistas em São Paulo. E que grande parte dos condutores não respeita os ciclistas. Não há preço que pague poder pedalar ao sabor do vento e ao ritmo do bulício urbano. Parafraseando, Caetano Veloso:

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim, Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos Mutantes

E foste um difícil começo
Afasta o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os Novos Baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa