Intermezzo por Portugal.

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Algures em Óbidos (Portugal).

Estou de férias em Portugal e a semanas de voltar novamente a Campinas. E já sinto saudades!

Esta frase, com os devidos enviezamentos, poderia ser atribuída a qualquer emigrante que se encontre a passar férias por cá e já a pensar quando virá cá no próximo ano. Decidi escolhê-la pois esta adequa-se ao meu momento atual. Mas num contexto mais onírico.

Com a excepção de três dias em que andei a ciceronear uma amiga brasileira, que se encontra de visita a Portugal, tenho optado por estar isolado do mundo, de modo a recarregar baterias para os desafios que se avizinham, já no início do próximo mês.

Onde me encontro não existem lojas, restaurantes, tampouco magotes de pessoas comuns que decidiram acampar de toalha e chinelo nos areais. Existe sim espaço para me evadir e silêncio para me concentrar no planejamento dos próximos passos. Nos intervalos tenho tido tempo para passear pelo meu pedaço na companhia dos animais da casa (entenda-se cães).

As manhãs têm sido aproveitadas para dormir até mais tarde. Os fins de tarde e os inícios da noite têm sido ótimos para ir à rua contemplar as estrelas, de modo a ganhar fôlego para continuar a trabalhar madrugada dentro. É desta vidinha no conforto do meu pedaço que vou sentir saudades, se é que me faço entender.

Mesmo estando a trabalhar, as férias são para ser aproveitadas da melhor forma. Quando elas terminarem, regressam as rotinas para pôr a minha paciência à prova. Um hábito mitigado pelas deslocações prazerozas de bicicleta entre casa e universidade e pelos almoços demorados com os meus companheiros de Instituto.

Programado que está o meu regresso a Portugal para as férias natalinas, os próximos tempos em terras de Vera Cruz vão ser passados a decidir qual será a próxima etapa na minha carreira.

Embora o regresso de armas e bagagens a Portugal e/ou à Europa tenha sido equacionado, o mais provável é que continue pelo outro lado do Atlântico.

Gosto muito de Portugal e dos bons amigos que cá deixei. Mas também gosto do Brasil e da vida que lá levo.

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Breves Reflexões sobre Emigração.

Se você acha que a vida tem sido injusta com você, que lhe faltam oportunidades, ou que não lhe dão o devido valor, faça o seguinte: pegue numa cana de pesca e tente viver apenas do que o mar lhe dá“. © Nelson Faustino

  1. Emigrar não é ir tirar férias ali ao lado. Habituem-se a que vos perguntem “mas o que é que você está aqui a fazer?”
  2. Quem está fora tem de mostrar que é uma mais valia para o país acolhedor.
  3. Têm de desvirtuar o estereótipo que as pessoas têm, em geral, do português (ou do portuga, como se diz aqui no Brasil).
  4. Têm de dar uma boa imagem de Portugal e das instituições onde obtiveram formação. O vosso sucesso está intrinsecamente ligado a estas e vice-versa.
  5. Contrair dívidas e não as pagar é o aspecto ‘materialista’ que deve ser tomado em linha de conta por aqueles que emigram e fazem intenção em continuar neste país de acolhimento.

    e por fim …

  6. Habituem-se a ‘ir à pesca’ pois fora de portas o vosso emprego não está garantido à partida. Tão pouco têm direito assegurado ao subsídio de desemprego.

Em suma:  Emigrar vale a pena pela aventura e pelo aprendizado que desta experiência se retira. Quanto ao que se escreve em jornais, não devem dar demasiado crédito. Para terem opiniões bem formadas sobre o assunto emigração, nada como perguntar diretamente aos vossos amigos e/ou conhecidos que estão fora de portas. A mim, por exemplo, via e-mail, caso tenham algumas questões a colocar sobre o Brasil.

“Quem são os profissionais mais raros no Brasil (e por quê)”

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Créditos da Foto: Revista Exame.

Para eventuais interessados em emigrar para o Brasil, sugiro que leiam a mais recente infografia da revista Exame (Brasil). Como leitura complementar, leiam também o post  “Dicas para quem quiser emigrar para o Brasil.“.

Em Contramão.

contramão

Grande parte deste ano — que ainda não terminou– tem sido também preenchido com viagens entre cá e lá. Em escalas entre aeroportos e cidades. Em momentos efémeros passados em Portugal e em família. Quando me mudei de armas e bagagens para o brasil, pensei que não iria viajar tanto. Enganei-me redondamente. E ainda bem!

Na minha experiência de (quase) 1 ano já acumulei mais de 70 horas de voo. Caminho alegremente para as 90 horas com o regresso a Campinas, no próximo fim-de-semana e com o regresso a Portugal para as habituais férias de Natal.

Este tipo de roteiro seria considerado normal caso eu fosse um homem de negócios ao invés de um emigrante. Fui, à semelhança de muitos outros, forçado a emigrar face à actual situação em que o país se encontra. No entanto, e ao contrário de muitos outros, não sou de contar os dias e os meses que estou entregue a mim mesmo. Aprender a estar comigo mesmo foi um dos grandes desafios que superei ao longo dos últimos tempos. Relativizar sentimentos como “saudade” foi a outra parte. É algo que tinha mesmo de ser relativizado a menos que quisesse tornar a minha moratória como emigrante numa mera penitência.

Tenho a plena noção que tive de prescindir de muitas coisas para ter embarcado nesta aventura que ainda vai bem no início. Claro que tanto no meu caso como no de muitos outros que me seguiram o rasto ou partiram mesmo antes de mim, este tipo de decisão provoca sempre sentimentos dúbios de quem nos vê partir.

Se por um lado fica um sentimento de vazio provocado pela nossa ausência, por outro lado somos catapultados à categoria de heróis, só porque somos sonhadores ou meros inconformistas. Deve ser a classificação que hoje é dada a quem tem a coragem de remar contra a maré, suponho.

Para além de sonhador e inconformista, sou um dos eternos apologistas que defende que antes de se ser altruísta tem de se ser primeiro egoísta. Não no sentido de querermos tudo para nós mesmos mas no sentido em que nos deveremos realizar em plenitude antes de nos preocuparmos tanto com a realização dos outros.

Sou também o eterno apologista que o conforto e a estabilidade são apenas conquistados por aqueles que teimam em não seguir o rebanho e a comportar-te segundo os padrões que a sociedade considera adequados. Entenda-se comportar-se segundo os padrões que a sociedade considera adequados como um seguidismo acéfalo de velhos dogmas que hoje — felizmente– deixaram de o ser.

Parto mais uma vez a caminho do outro lado do oceano sem mágoas e ressentimentos para com a vida que deixei para trás e sem esperar nada em troca. Espero poder regressar tantas vezes quanto possível para celebrar a amizade e uma série de coisas bonitas começadas com A e com as restantes letras do alfabeto.

Quanto ao regressar um dia: Não me vejo nos próximos anos a voltar a viver em Portugal a tempo inteiro. Pelo menos não o espero fazer sem antes cumprir uma longa viagem que vem sido adiada consecutivamente desde os tempos de secundário (final dos anos noventa)– Macau ;).

 

Adenda: Viver e partilhar o mesmo espaço com alguém é algo que impõe um equilíbrio destes dois pratos da balança, mas isto é outro assunto sobre o qual espero escrever um dia destes e em mais profundidade.

Feito num 31?

Os novos trintões têm medo de envelhecer. Vivem uma espécie de nostalgia de um futuro que ainda não têm. Parece-lhes tarde para tudo. Já lhes parece tarde para terem filhos, tarde para serem solteiros, tarde para ainda não serem nada profissionalmente, demasiado cedo para terem medo de envelhecer.

(…)
Os novos trintões não são só uma geração sem perspectiva com medo de emigrar pela saudade de quem deixam. Os novos trintões antecipam um futuro que ainda não têm e desenham — num silêncio cheio de equações de insegurança — a matemática do futuro, sem máquina com capacidade de calcular.

Maria Couto em Público–P3.

Aproveito este pequeno trecho que delitei do P3 para dar azo a uma pequena evasão de alma (aliás, é para isto que este blog também serve):

Já não sou um jovem na casa dos vintes mas um trintão feito num 31–a minha idade real. No entanto continuo a alimentar os meus sonhos como se fosse um jovem que terminou de entrar na universidade. Com altos e baixos pelo meio, mas continuo.

A experiência dos 31 ensinou-me a não sofrer por antecipação e a não dar nada como garantido. A experiência dos 31 ensinou-me que nem todos os dias são iguais e que cada dia deve ser visto como um exame a ser superado com distinção.

É verdade que se tivesse escolhido outros trilhos, estaria provavelmente numa situação mais confortável. Provavelmente, já seria homem casado, pai de filhos e já teria, provavelmente, comprado a minha primeira casa a prestações. Mas também é verdade que todas as escolhas que tive de fazer ao longo dos anos me permitiram uma certa realização pessoal.  E acima de tudo contribuíram para me tornar uma pessoa mais tolerante e melhor preparada para arcar com responsabilidades futuras que, ao contrário do podem estar a pensar, não se resumem apenas ao campo profissional.

Já fiz escolhas de que me orgulho. Outras de que me arrependo. Mesmo assim, continuo a preferir o risco da aventura ao comodismo da idade. Se tivesse colocado limites onde eles não existem, não estaria hoje aqui. Deste lado. Do Atlântico.

É verdade que não sei ainda se o meu futuro será por cá ou será  noutra latitude. Apenas sei que estou a adorar esta experiência de estar por cá. E isso é o que de momento interessa. Nada mais.

“Emigrar não é ir de férias”.

Se ainda assim está convicto de que sair é a melhor atitude, analise bem a sua situação. Em primeiro lugar pense se não está simplesmente a ceder à ilusão de que a relva é mais verde do lado de lá. Se aquilo que faz não é valorizado aqui, há uma forte probabilidade de também não o ser lá fora. Falta de especialização ou competências e desfasamento da actualidade são razões possíveis – entenda de uma vez que nem todo o mal que lhe acontece é culpa dos outros. Invista em si. Estude, aprenda, melhore, esforce-se por adquirir capacidades que o distingam na hora de contratar.

Joana Petiz em Dinheiro Vivo.

Mais alguns conselhos para reforçar o que já escrevinhei no post Não é fácil, é trabalhoso!

Na hora da despedida.

"O emigrante português no Brasil de 81 anos investiu em hotéis. Será ele o anfitrião, no luxuoso The Palms, em Campinas, do onze nacional"  (Dinheiro Vivo)

“O emigrante português no Brasil de 81 anos investiu em hotéis. Será ele o anfitrião, no luxuoso The Palms, em Campinas, do onze nacional” (Dinheiro Vivo)

Tenho saudades do tempo em que as pessoas usavam os blogues e as redes sociais para discutir ideias. Ideias pensadas, escritas, lidas, faladas, ouvidas, argumentadas, criticadas, mas sempre ideias com alguma coerência e projectadas no futuro. Até tenho saudades dos tempos em que as pessoas eram autênticas e não guardavam rancor, ou dos tempos em que as pessoas se referiam a Portugal como “a sua pátria mãe”.

Nos últimos dois anos, o assunto emigração tornou-se uma obsessão colectiva. Pudera! Desde os anos 60 que não havia uma vaga de emigração tão significativa. Apesar disso, quem ligar os televisores e ler os jornais fica com a sensação que este fenómeno de emigração em Portugal é ímpar.

Com o ruído que se faz sentir em cada paróquia, muitos dos paroquianos que habitam nos lugares mais recondidos de Portugal, perderam a capacidade de olhar para o país de forma transversal. De olhar para Portugal como um país global, recheado de pessoas com talento que levam a nossa cultura e os nossos hábitos além-fronteiras, e que contribuem de forma [in]directa para a imagem de Portugal no mundo. Tirando o Mourinho, o Cristiano Ronaldo e a Sara Sampaio, pois estes todos nós conhecemos…

Quem nos últimos tempos deambulou pela blogosfera e redes sociais deve ter constatado o apedrejamento público de que têm sido alvo figuras conhecidas da nossa praça que, ou num acto de inocência ou por mero revanchismo, decidiram ou “ameaçar” renunciar à nacionalidade Portuguesa– como foi o caso da pianista Maria João Pires– ou partir para outra latitude à procura de viver o que lhe resta desta vida com um pouco mais de alegria e dignidade, como foi o caso recente de Fernando Tordo, que por estas horas já deve estar comodamente instalado em Recife– bem-vindo camarada!

As mais recentes críticas a estes emigrantes cosmopolitas– algumas das quais descritas pelo filho de Fernando Tordo, o escritor João Tordo– reforçam mais a ideia de estarmos a assistir a um espectáculo de “vizinhos” desentendidos. Parece haver uma necessidade latente de catalogar estes ‘novos emigrantes’ como vilões que decidiram cuspir no prato de quem lhes deu de comer. Parafraseando Platão, deixou-se a inteligência de lado para se abraçar a mesquinhez.

Durante anos, os media em Portugal procuravam despoletar no exterior casos de sucesso de emigrantes que faziam sucesso além-fronteiras. Não davam capas de jornais e revistas e muitos menos eram notícia de abertura em prime time. Mas davam assunto de conversa em família e eram vistos como um motivo de orgulho. Como se de primos afastados se tratassem- Coisas da cultura portuguesa! Com a massificação do web2.0–internet, smartphones, socialmedia– este tipo de notícias tornou-se supérfluo. Felizmente, e a propósito da estadia da selecção nacional em Campinas durante o mundial de 2014, o suplemento do DN/JN Dinheiro Vivo decidiu fazer recentemente uma entrevista interessante com Armindo Dias. O rei das bolachas no Brasil que dá cama e roupa lavada à seleção nacional (sic).

Raramente se fala sobre casos de sucesso de emigrantes. Excepto quando se fala de super-estrelas e de vedetas ou quando se tenta julgar em praça pública as opções de vida daqueles que decidiram partir. Gente “injustamente” esquecida e só agora utilizada, muitas vezes sem pudor, para encher noticiários e dar tema de conversa a hobbits.

PS: Também há meses atrás, um dia antes de vir abraçar a minha nova aventura profissional, escrevi neste blog o meu primeiro Post. Fi-lo sem rancor e como jeito de despedida, despedida essa que será sempre um “até já”. Depois de tudo o que tenho lido por aí, a começar por falsas elites que se entitulam ser donos da verdade, provavelmente não o voltaria a fazer. Pelo menos com tanta autenticidade.

Não é fácil, é trabalhoso!

A minha mesa de trabalho no Imecc-Unicamp.

A minha mesa de trabalho no Imecc-Unicamp.
Fonte: http://instagram.com/p/fKpPrbHsmF/#

Engane-se quem pensa que emigrar lhe vai trazer a estabilidade que não tem em Portugal. Claro que há sempre aquela pequena classe que nasceu com o rabinho voltado para o céu ou então tem dinheiro em algum offshore tipo… Gibraltar!!! Quem emigra — ou pensa em emigrar– tem de se mentalizar que não basta ser bom. Tem de se ser excelente! Isto se não se quiser correr o risco de ser considerado mais um entre vários.

Na actual conjuntura, muitos dos países da América Latina têm absorvido grande parte dos desempregados provenientes de países de língua franca, em particular de Portugal, Espanha e Itália. No entanto, para fazer face à actual demanda de trabalhadores da Europa para a América Latina, empresas e governos tendem a ser cada vez mais selectivos e a adoptar critérios cada vez mais restritivos a quando da contratação e da atribuição/revalidação de vistos, respectivamente.

Esta questão vem a propósito de um batalhão de perguntas e de expectativas que amigos e conhecidos me colocaram a quando da minha última estadia em Portugal. Por várias ocasiões e em conversas com muitos deles, destaquei o facto de cá trabalhar o dobro (e em alguns dias, o triplo) do que trabalhava quando estava em Portugal. Claro que vale a pena, pois considero o trabalho que faço [muito] “bem pago” em comparação com o salário médio brasileiro e em antítese aos valores que se praticam actualmente em Portugal.

Engane-se portanto que chegar a um país, como o Brasil, onde “curiosamente” se fala a mesma língua que em Portugal, é meio caminho andado para obter um vínculo mais duradouro ou até mesmo definitivo. Para se singrar por cá é também necessário corresponder às necessidades actuais que o país enfrenta, entre as quais a necessidade de mão de obra qualificada para fazer face à criação de infraestruturas. Há muito mais vida para além de estádios de futebol (…) Resumindo, há que se tornar indispensável!!!

Claro que existe sempre a hipótese remota de se falhar e de não corresponder às expectativas que colocaram sobre nós. Mas como em tudo na vida, a palavra NÃO estará sempre garantida. Existirá sempre a hipótese remota de ter de voltar a refazer a vida numa outra latitude. Mesmo assim, entre o risco de correr mal e de ficar com consciência pesada por não se ter dado o nosso melhor, o recomendável é nos ficarmos pela primeira opção.

É este o espírito!

“Navigare necesse, vivere non est necesse.”

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Rembrant– Cristo e os Apóstolos enfrentando uma “tempestade no mar da Galileia“.

Quando escrevi há meses atrás o post “O Chauvinismo da Emigração.“, fi-lo recorrendo a um certo humor cáustico como forma de tentar aliviar o ambiente pesado que se fazia sentir– e ainda se faz — na imprensa Portuguesa. Quando no final terminei com o parêntesis:

Não falo daquelas famílias que, por força das circunstâncias, o pai e a mãe tiveram [novamente] de emigrar. Porque para essas a emigração é o trucidar de várias vidas que dependem de míseros tostões como de pão para a boca. Mas sobre isso espero escrever um dia destes mais a fundo com menos cinismo e mais humanismo.

referia-me a todos aqueles que partem na esperança de além fronteiras arranjarem um emprego digno que lhes permita viver o que lhes resta com alguma dignidade. Este foi exactamente o mote do excelente trabalho do jornal Público entitulado “Ei-los que partem pelo direito ao último terço da vida” que vale a pena ser lido e reflectido na sua essência.

A todos os amigos e conhecidos nesta situação resta-nos acalentar, com o pouco ânimo que nos resta, o seu coração com a esperança tal qual o general romano Pompeu fez com os seus marinheiros receosos por enfrentar a força do mar – “Navegar é preciso, viver não é preciso.”

“Saída de pessoas qualificadas para o estrangeiro é positiva “

“o secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, Pedro Pereira Gonçalves, disse que a saída de quadros, com elevada formação académica, do nosso pais, “traz coisas boas para Portugal”.

Convidado pelo Expresso a explicar melhor a sua ideia, disse: “A exposição dessas pessoas no estrangeiro é positiva para Portugal e, depois, elas podem regressar ainda mais qualificadas e experientes, é bom que elas saiam do país, embora o devam fazer por livre vontade e não por necessidade”.

“Por exemplo, acrescentou o governante português, o caso de Carlos Tavares à frente da Peugeot-Citroen é uma mais-valia, é bom para o nosso país ter quadros destacados no estrangeiro”.

Pedro Gonçalves falava à margem de uma reunião sobre o desenvolvimento, em Portugal, de uma forte plataforma de serviços transnacionais (Outsourcing) para empresas estrangeiras em áreas tão diversas como call centers, centros de serviços, de novas tecnologias, etc. “

Primeiro convida-se os educados e os cosmopolitas a emigrar. Depois tenta-se vender a ideia de que muitos, como eu, vão contribuir além fronteiras para o sucesso de Portugal e que — imagine-se só– irão regressar a qualquer preço.

Que se perceba de uma vez por todas que a única ligação umbilical que liga casos como o de Carlos Tavares entre muitos outros [no qual também me incluo] é o de [ainda] terem família em Portugal. Ligação que enquanto se mantiver, fará com que regresse a Portugal mas apenas de férias.