“A miscigenação social”

Vale a pena fazer uma pausa no caos político e económico, fruto da guerra entre um grupo de irresponsáveis, liderado pelo presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, e uma presidente falha de competências e desfrutar das tentativas de mestiçagem socioeconómica em curso.

Essa mestiçagem aparece em forma de notícias de jornal. Conta a Folha de São Paulo que, segundo o Plano Diretor do vanguardista, mas incompreendido, prefeito de São Paulo Fernando Haddad, vão avançar mais ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social). As ZEIS são áreas de habitação social dentro dos bairros nobres da cidade.

O objetivo é transformar São Paulo cada vez menos numa cidade de guetos, em que os ricos moram no anel mais próximo do centro, as empregadas dos ricos no anel seguinte, as empregadas das empregadas dos ricos no seguinte e assim sucessivamente numa espécie de galáxia urbana excludente.

Claro que o foco da notícia está no facto dos moradores mais pobres dos bairros mais ricos terem de percorrer quilómetros para fazer compras num supermercado acessível ao seu bolso porque os preços do comércio da região são proibitivos. Ainda há séculos de desigualdade a combater mas, como diz um secretário de Haddad, o que esses habitantes poupam (em tempo e dinheiro) nos transportes para ir para os trabalhos compensa.

João Almeida Moreira em Dinheiro Vivo.

Já estive por São Paulo por diversas ocasiões. Uma delas em trabalho, a participar numa conferência que decorreu na Universidade de São Paulo. Numa outra em lazer, a assistir a uma jornada da Taça Davis.

Na primeira vez, ficando alojado num hotel perto do rio Tietê, fui presenteado pelo mau cheiro de esgoto a céu aberto que este se tornou. Na segunda ocasião, como já tive oportunidade de relatar, fiquei localizado nas imediações do parque Ibirapuera, o pulmão desta cidade de contrastes.

Dos poucos jornalistas portugueses que escrevem sobre o Brasil, a opinião do João Almeida é sempre um farol no meio do nevoeiro que abunda nas televisões e jornais portugueses sobre a Operação Lava Jato. Do Brasil é melhor nem falar pois as notícias veiculadas nos media tem contornos de filmes policiais.

Felizmente nem tudo é mau. O Brasil não tem apenas corruptos e políticos irresponsáveis. Tem também Sílvio Santos e pegadinhas com a sua assinatura no seu canal (SBT).

A do Demônio Lança-Chamas, que tomei a liberdade de partilhar abaixo, aparece um Satanás com um maçarico em chamas a perseguir pessoas nas proximidades do metro de São Paulo. A título de curiosidade, esta pegadinha passou na SBT no mesmo dia em que passou na Record — estação de TV da qual Sílvio Santos já foi dono — uma entrevista de pouco mais de 30 minutos, na qual se deu o reencontro de Sílvio Santos com o Bispo Edir Madeiro (atual dono da Record) no Templo de Salomão, em São Paulo.

Haja sentido de humor ^_^.

Adenda: Soube à pouco que a TV Cultura se encontra sem verbas e encontra-se em risco de fechar. De lamentar…

Velho Ano, Novo Ano.

O velho ano está quase a terminar. Não sendo um ano que considere repleto de realizações, foi um ano que serviu para preparar o que aí vem.

Tive a oportunidade rever velhos conhecidos. Tive também a oportunidade de conhecer novas pessoas e de desenhar futuras parcerias científicas. Mesmo em modo solitário — foi a minha opção pessoal — tive ainda a oportunidade de fazer novas amizades. Amizades essas que ajudaram a superar a distância que me separa de casa. Tive também a oportunidade de adotar novos hábitos como o de voltar a pedalar e de experimentar novos passatempos como o de assistir ao vivo a partidas de ténis.

Em síntese, foi um ano de reciclagem e de aprendizado, onde tive a oportunidade de enterrar vários machados de guerra. Ao fim de alguns anos, consegui encontrar alguma paz interior. Paz essa que me tem permitido enfrentar os desafios comuns do dia-a-dia com grande serenidade.

Amanhã virá o novo ano. Não sei exatamente o que este me reserva. Quero apenas, nos momentos que o antecedem, degustar as doze passas [de uva] a que tenho direito, e saborear uma taça de espumante bruto. Enfim, celebrar a vida, e confiar que o melhor ainda está para vir.

Um brinde ao Novo Ano!

“Quem são os profissionais mais raros no Brasil (e por quê)”

itWorksBr

Créditos da Foto: Revista Exame.

Para eventuais interessados em emigrar para o Brasil, sugiro que leiam a mais recente infografia da revista Exame (Brasil). Como leitura complementar, leiam também o post  “Dicas para quem quiser emigrar para o Brasil.“.

Em Contramão.

contramão

Grande parte deste ano — que ainda não terminou– tem sido também preenchido com viagens entre cá e lá. Em escalas entre aeroportos e cidades. Em momentos efémeros passados em Portugal e em família. Quando me mudei de armas e bagagens para o brasil, pensei que não iria viajar tanto. Enganei-me redondamente. E ainda bem!

Na minha experiência de (quase) 1 ano já acumulei mais de 70 horas de voo. Caminho alegremente para as 90 horas com o regresso a Campinas, no próximo fim-de-semana e com o regresso a Portugal para as habituais férias de Natal.

Este tipo de roteiro seria considerado normal caso eu fosse um homem de negócios ao invés de um emigrante. Fui, à semelhança de muitos outros, forçado a emigrar face à actual situação em que o país se encontra. No entanto, e ao contrário de muitos outros, não sou de contar os dias e os meses que estou entregue a mim mesmo. Aprender a estar comigo mesmo foi um dos grandes desafios que superei ao longo dos últimos tempos. Relativizar sentimentos como “saudade” foi a outra parte. É algo que tinha mesmo de ser relativizado a menos que quisesse tornar a minha moratória como emigrante numa mera penitência.

Tenho a plena noção que tive de prescindir de muitas coisas para ter embarcado nesta aventura que ainda vai bem no início. Claro que tanto no meu caso como no de muitos outros que me seguiram o rasto ou partiram mesmo antes de mim, este tipo de decisão provoca sempre sentimentos dúbios de quem nos vê partir.

Se por um lado fica um sentimento de vazio provocado pela nossa ausência, por outro lado somos catapultados à categoria de heróis, só porque somos sonhadores ou meros inconformistas. Deve ser a classificação que hoje é dada a quem tem a coragem de remar contra a maré, suponho.

Para além de sonhador e inconformista, sou um dos eternos apologistas que defende que antes de se ser altruísta tem de se ser primeiro egoísta. Não no sentido de querermos tudo para nós mesmos mas no sentido em que nos deveremos realizar em plenitude antes de nos preocuparmos tanto com a realização dos outros.

Sou também o eterno apologista que o conforto e a estabilidade são apenas conquistados por aqueles que teimam em não seguir o rebanho e a comportar-te segundo os padrões que a sociedade considera adequados. Entenda-se comportar-se segundo os padrões que a sociedade considera adequados como um seguidismo acéfalo de velhos dogmas que hoje — felizmente– deixaram de o ser.

Parto mais uma vez a caminho do outro lado do oceano sem mágoas e ressentimentos para com a vida que deixei para trás e sem esperar nada em troca. Espero poder regressar tantas vezes quanto possível para celebrar a amizade e uma série de coisas bonitas começadas com A e com as restantes letras do alfabeto.

Quanto ao regressar um dia: Não me vejo nos próximos anos a voltar a viver em Portugal a tempo inteiro. Pelo menos não o espero fazer sem antes cumprir uma longa viagem que vem sido adiada consecutivamente desde os tempos de secundário (final dos anos noventa)– Macau ;).

 

Adenda: Viver e partilhar o mesmo espaço com alguém é algo que impõe um equilíbrio destes dois pratos da balança, mas isto é outro assunto sobre o qual espero escrever um dia destes e em mais profundidade.

Dá que pensar.

Foto retirada do Blog do Magno Martins.

Foto retirada do Blog do Magno Martins.

Enquanto a imprensa escrita portuguesa veda cada vez mais o acesso a informação a não assinantes, o El País — jornal periodista espanhol– “abriu uma secção para o Brasil na língua de Camões” (sic) e faz uma entrevista exclusiva com Dilma Rousseff no planalto.

Posto isto, não se admirem se eu, português emigrado no Brasil, deixe de ler a imprensa portuguesa e passe a ler o El País. É caso para dizer

Sejan bienvenidos al El País Brasil!!!”

Lusofonia e Diáspora.

“Com uma população jovem em grande crescimento [nos países lusófonos], há uma previsão de um aumento significativo dos falantes dentro de cinco a 10 anos”, disse ao PÚBLICO Ana Paula Laborinho. A população jovem que fala português também explica a conquista do mundo digital.

Na Internet, o português já é a quinta língua mais usada. Nas redes sociais – Facebook e Twitter – é a terceira. Também alcançou esse ranking, terceiro mundial, nos negócios de gás e petróleo, em grande parte graças a Angola e Brasil.

“Nos próximos cinco a dez anos, mais de 300 milhões de pessoas no mundo serão falantes de português”, diz a responsável, numa altura em que Portugal se prepara para acolher a 2ª Conferência sobre a Língua Portuguesa no Sistema Mundial, que se realiza esta terça e quarta-feira na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa.

(…)

Ana Paula Laborinho destaca também o director do Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, António Sartini, e Ataliba de Castilho pelo importante trabalho de divulgação da língua portuguesa, levando ao seu espaço “não apenas escritores e artistas do Brasil mas de todos os países” lusófonos. “Os milhões que têm passado pelo museu têm sido um contributo muito importante para a internacionalização” da língua.

Fonte: Jornal Público.

Leitura Complementar: RTP [Internacional] vs Taxa Audiovisual.