Astrolábio Jukebox #22

Bogotá -Criolo

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“Barão Geraldo, de colónia de imigrantes a cidade universitária”.

Texto escrito à cerca de 01 (um) ano para o suplemento “Fugas” do Jornal Público. Tomem a liberdade de o (re)ler!

Astrolábio

fugasBrasil Esta edição do Fugas esteve “Em Campinas, no rasto da selecção nacional“.

Para quem [ainda] não leu o meu texto na edição do Fugas do último fim-de-semana, pode fazê-lo agora através do link:

http://fugas.publico.pt/DicasDosLeitores/331655_barao-geraldo-de-colonia-de-imigrantes-a-cidade-universitaria

Tal como tive oportunidade de dizer à editora do Fugas, 1500 caracteres–limite que me foi imposto– foram insuficientes para falar de tudo o que Barão Geraldo tem para oferecer a quem se decide perder por cá. De qualquer das formas, e tal como já foi prometido, irei falar daqui em diante por estes lados sobre os lugares que podem visitar e frequentar em Barão Geraldo. Se houver possibilidade num futuro próximo, certamente irei escrever mais dicas de viagens, indo ao encontro de quem vem de viagem a Campinas para acompanhar de perto a selecção, assim como para aqueles que tencionam vir para cá trabalhar e [possivelmente] estudar numa das universidades que mencionei no…

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Parabéns à Universidade de Coimbra!

Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra— Entrada Principal.

Já pertenci à universidade de Coimbra. Não fui lá estudante, mas, tendo-me decidido pelo prosseguimento da minha carreira científica, foi o Departamento de Matemática desta universidade que elegi para fazer o meu [primeiro] pós-doutoramento.

A minha passagem por esta universidade e pela cidade estará, para sempre, tatuada nas minhas memórias por vários motivos. Lembro-me com alegria do primeiro dia que entrei no departamento e pus a chave na porta da minha sala. Lembro-me com carinho de todos os docentes e funcionários desta casa, que me acolheram como se fosse um filho desta casa, carinho com que sempre me trataram, e com o sorriso nos lábios que sempre tinham para retribuir. Pelo exemplo de profissionalismo que sempre incutiam na sua tomada de decisões, mesmo as mais difíceis.

No dia em que tive de entregar as chaves da minha sala, fiz um enorme esforço para não verter uma lágrima sequer. Não porque não tivesse vontade de o fazer. Mas porque quis que este momento fosse o mais normal possível, dentro da lógica com que já tinha mencionado num outro post:

O prestígio das instituições que representamos deve estar sempre à frente das nossas ambições pessoais. Nós passamos. As instituições ficam. É assim que está certo.

Hoje, dia 01 de março de 2015, a Universidade de Coimbra está de parabéns pelos seus 725 anos. Passei por lá apenas 3 anos (2010-2013) . O tempo suficiente para sentir uma certa nostalgia por um dia regressar a esta instituição. Não nos próximos tempos. Mas daqui a uns valentes anos. Quem sabe …

Budapeste.

Hoje voltei a um dos meus vícios urbanos. Deambular pela cidade à procura do incerto. Caminhar sem destino. Sem GPS. Sem Celular. Sem qualquer aparelho que me pudesse distrair. Na volta vim preenchido, com um velho mas bem atual livro de Chico Buarque que comprei a um vendedor de rua, junto ao Cambuí, bem no coração de Campinas.

Em jeito de rodapé, deixo-vos com recensões críticas de dois ilustres desconhecidos, que estão timbradas na capa do livro que agora vou começar a ler:

“Chico Buarque ousou muito, escreveu cruzando um abismo sobre um arame e chegou ao outro lado. Ao lado onde se encontram os trabalhos executados com mestria, a da linguagem, a da construção narrativa, a do simples fazer. Não creio enganar-me dizendo que algo de novo aconteceu no Brasil com este livro.
” JOSÉ SARAMAGO [Folha de S.Paulo]

“Talvez o mais belo dos três livros da maturidade de Chico, Budapeste é um labirinto de espelhos que afinal se resolve, não na trama, mas nas palavras, como os poemas” CAETANO VELOSO [O Globo]

“Budapeste é o terceiro romance de Chico Buarque, lançado em 2003 pela editora Companhia das Letras” (sic) Fonte: wikipedia.

Varoufakis.

Via O Insurgente — http://oinsurgente.org/2015/02/20/golpe-de-mestre/

Por outras palavras, a proposta grega era de garantir a extensão do empréstimo por 6 meses e, em contrapartida… continuar negociações sobre políticas que Syriza deseja implementar. Uma espécie de «primeiro enviem o dinheiro, depois vemos o que fazer com ele». O governo alemão percebeu a intenção e rejeitou-a imediatamente.

Mas, na minha opinião, o vencedor deste confronto foi a Grécia ao fazer a Alemanha cair numa “armadilha” mediática (foi vista como o vilão). É que – ao contrário de entidades oficiais – os jornalistas e comentadores foram enganados pela retórica da missiva e, por via daqueles, o público em geral (antes de ler o texto reproduzido acima, eu incluído), presumindo que a Grécia fez algumas cedências. Não o fez, colocou apenas no papel aquilo que anda a dizer há semanas.

Varoufakis teve aqui uma jogada de mestre o que, para um político dito amador, é louvável (acredito que a saída do euro é consequência perfeitamente aceitável para o Syriza, desde que não seja este percepcionado como a causa).

Astrolábio

Dijsselbloem ao ministro das Finanças grego: “Acabaste de matar a troika” (DN)

Na europa criou-se a ideia de que “há que cumprir com os compromissos”, sem discutir se os compromissos são exequíveis. Em Portugal, o lema de vida “pobre mas honrado” mantém-se, mesmo após o apagão dos anos de estado novo.
Quando aparece, alguém como este ministro picante e pouco convencional, que pensa fora da caixa, “ai Jesus que os Deuses gregos estão loucos!” — é esta a opinião quando passo os olhos pelos jornais portugueses, e pelas redes sociais.

Não deixa de ser curioso que o que este senhor defende vai muito ao encontro do que economistas como Paul De Grauwe — antigo conselheiro de Durão Barroso — tem vindo a defender. Leiam por exemplo o artigo de opinião Managing a fragile Eurozone , de 10 de Maio de 2011, e tentem enquadrar com as recentes declarações de…

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O que o web 2.0 está a fazer pelo ensino. E o que ainda poderá vir a fazer.

Anfiteatro em ambiente virtual Second Live.

Quando na década passada o Youtube e a blogosfera davam os primeiros passos, estávamos longe de imaginar a sua importância na disseminação de conteúdos informativos e pedagógicos. A bem da verdade, nunca se tinha equacionado que estes viriam a ser de extrema importância no reciclar do antigo conceito de Tele-Escola, a que muitos dos nossos pais tiveram acesso.

Quando à uns anos atrás se começou a idealizar o conceito de Ambiente Virtual de Aprendizagem, pensou-se inicialmente numa espécie de jogo interactivo análogo ao Sims, em que os docentes/discentes eram embutidos numa espécie de sala de aula virtual. No entanto esta ideia foi colocada, de momento na prateleira, muito devido aos computadores pessoais necessitarem de bastante memória RAM e de placas gráficas robustas para executar os módulos de ensino.

Acidentalmente, foi nos últimos anos que o fenómeno web 2.0, assente numa edição de conteúdos em formato wiki, começou a ser incorporado nas plataformas de ensino. Basta olharmos para sites de instituições universitárias como o M.I.T, ou de de empresas como a Wolfram — empresa responsável pelo desenvolvimento do software Mathematica — para perceber a dimensão deste impacto no mundo universitário.

Acessibilidade e Portabilidade. Resumindo em duas palavras, foi isto que as ferramentas web 2.0 têm vindo a acrescentar ambiente tradicional de aprendizagem. Visto de uma outra forma, a distância geográfica e a falta de meios financeiros deixou de ser uma limitação para quem pretende fazer um upgrade dos seus conhecimentos.

Sou da opinião que uma boa implementação deste tipo de ferramentas pode vir a ter uma importância estratégica na democratização e numa melhoria do ensino, com vista à sua uniformização. Mais ainda num país como o brasil, onde quase todo o mortal já tem acesso à internet, mas onde ainda existe uma grande discrepância entre ensino público e ensino privado.

Astrolábio Jukebox #18

Parabéns ao saudoso mestre Carlos Paredes, grande responsável pela popularização da guitarra portuguesa além-fronteiras. Caso ainda estivesse entre nós, teria ontem — dia 16 de Fevereiro de 2015 — celebrado 90 primaveras.

Para celebrar esta efeméride, volto a repostar o álbum “Espelho de Sons” — para mim um dos melhores senão o melhor.

Astrolábio

Carlos Paredes – Espelho de sons [1988]

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Varoufakis.

Na europa criou-se a ideia de que “há que cumprir com os compromissos”, sem discutir se os compromissos são exequíveis. Em Portugal, o lema de vida “pobre mas honrado” mantém-se, mesmo após o apagão dos anos de estado novo.
Quando aparece, alguém como este ministro picante e pouco convencional, que pensa fora da caixa, “ai Jesus que os Deuses gregos estão loucos!” — é esta a opinião quando passo os olhos pelos jornais portugueses, e pelas redes sociais.

Não deixa de ser curioso que o que este senhor defende vai muito ao encontro do que economistas como Paul De Grauwe — antigo conselheiro de Durão Barroso — tem vindo a defender. Leiam por exemplo o artigo de opinião Managing a fragile Eurozone , de 10 de Maio de 2011, e tentem enquadrar com as recentes declarações de Varoufakis, em particular as que proferiu poucos dias depois de ter sido nomeado para o cargo– para o efeito, o artigo do jornal Público, do dia 01 de fevereiro de 2015, para reavivar a memória de curto prazo.

Para entender a narrativa que Varoufakis não é preciso ser um especialista em macroeconomia. Basta apenas revisitar alguns escritores contemporâneos, que retrataram o problema das dívidas soberanas de uma forma bastante tangível. Peguemos por exemplo no clássico Little Dorrit, de Charles Dickens, onde o autor evidenciou as deficiências do governo britânico, e da crise de valores que a sociedade inglesa vivia, em plena revolução industrial. Marshalsea foi uma das mais conhecidas das prisões inglesas para devedores, onde o próprio pai de Dickens esteve preso por não ter pago uma pequena dívida.

Na época, os custos deste tipo de prisões eram suportados pelas famílias dos presos, uma vez que estes estavam impedidos de trabalhar. Para se libertar um preso de uma prisão de devedores, não bastava pagar apenas dívida em falta. Teria que se acrescentar os juros da dívida, juros esses que dependiam essencialmente dos caprichos dos credores.

Em Little Dorrit, Dickens satirizou a separação de pessoas com base na falta de interação entre as classes. Enquanto cidadão, contribui- e muito- para acabar com este negócio florescente que girava em torno de prisões como Marshalsea.

Mais de 200 anos após o nascimento de Dickens, e quase 5 anos após o início do programa de resgate, a Grécia ainda não se livrou do problema da dívida. Ganhou, no entanto, um ministro das finanças que, em quase 3 semanas, já contribuiu- e muito- para agitar as águas pantanosas da zona euro.

A história nunca foi escrita pelos perdedores mas pelos vencedores. Ainda é cedo demais para dizer quem vai ganhar este braço de ferro entre gregos e o eixo franco-alemão. Talvez um dia venhamos a prestar a merecida vassalagem a Varoufakis e ao povo grego. Ou talvez venhamos a culpar este e os demais por terem levado a europa e o euro para o precipício.

Só o tempo o dirá...

Adenda: Eu sei que todos os que me lêem esperam que, de uma forma ou de outra, fale sobre o que se está a passar no Brasil. Posso dizer que assuntos quentes não faltam. Esses que vão desde o processo Lava Jato, à popularidade em queda de Dilma, Alckmin e Haddad, passando pela derrapagem nas contas dos projetos de ciclovias e ciclofaixas da cidade de São Paulo. Caso venha a ter uma opinião formada que mereça ser partilhada — em especial no que diz respeito à mobilidade urbana — tomarei a liberdade de escrever sobre o assunto.

Uma Mercearia Portuguesa, com certeza!

“Não perguntes o que teu país pode fazer por ti. Pergunta antes o que podes fazer por seu país.” John F. Kennedy

Margarida Vila-Nova [Martins], atualmente personagem principal numa novela portuguesa, a ser exibida em horário de prime time, seguiu à risca a máxima de Kennedy quando se mudou à três anos atrás para Macau, e por lá abriu a Mercearia Portuguesa. Recentemente, encontra-se a braços com outro projecto, mais voltado para a venda de produtos cosméticos, em parceria com a ClausPorto — a Futura Clássica.

A marca Portugal tem um potencial imenso além-mar. A Margarida, ao par de várias pessoas anónimas, percebeu isso e pôs, com se diz na gíria, “as mãos na massa”. A chave do sucesso passou [aparentemente] por aliar o ambiente rústico, típico das mercearias que encontramos quando caminhamos por alguns bairros típicos de Lisboa, e de província, a uma narrativa em jeito de storytelling, em que há um aparente cuidado em explicar aos clientes, a origem e a história por detrás de cada produto.

Mais que as minhas palavras, recomendo vivamente a lerem o artigo publicado em Dinheiro Vivo, a 06 de fevereiro de 2015, assim como o artigo de à três anos atrás, publicado no suplemento P3 do jornal Público.