Em Contramão.

contramão

Grande parte deste ano — que ainda não terminou– tem sido também preenchido com viagens entre cá e lá. Em escalas entre aeroportos e cidades. Em momentos efémeros passados em Portugal e em família. Quando me mudei de armas e bagagens para o brasil, pensei que não iria viajar tanto. Enganei-me redondamente. E ainda bem!

Na minha experiência de (quase) 1 ano já acumulei mais de 70 horas de voo. Caminho alegremente para as 90 horas com o regresso a Campinas, no próximo fim-de-semana e com o regresso a Portugal para as habituais férias de Natal.

Este tipo de roteiro seria considerado normal caso eu fosse um homem de negócios ao invés de um emigrante. Fui, à semelhança de muitos outros, forçado a emigrar face à actual situação em que o país se encontra. No entanto, e ao contrário de muitos outros, não sou de contar os dias e os meses que estou entregue a mim mesmo. Aprender a estar comigo mesmo foi um dos grandes desafios que superei ao longo dos últimos tempos. Relativizar sentimentos como “saudade” foi a outra parte. É algo que tinha mesmo de ser relativizado a menos que quisesse tornar a minha moratória como emigrante numa mera penitência.

Tenho a plena noção que tive de prescindir de muitas coisas para ter embarcado nesta aventura que ainda vai bem no início. Claro que tanto no meu caso como no de muitos outros que me seguiram o rasto ou partiram mesmo antes de mim, este tipo de decisão provoca sempre sentimentos dúbios de quem nos vê partir.

Se por um lado fica um sentimento de vazio provocado pela nossa ausência, por outro lado somos catapultados à categoria de heróis, só porque somos sonhadores ou meros inconformistas. Deve ser a classificação que hoje é dada a quem tem a coragem de remar contra a maré, suponho.

Para além de sonhador e inconformista, sou um dos eternos apologistas que defende que antes de se ser altruísta tem de se ser primeiro egoísta. Não no sentido de querermos tudo para nós mesmos mas no sentido em que nos deveremos realizar em plenitude antes de nos preocuparmos tanto com a realização dos outros.

Sou também o eterno apologista que o conforto e a estabilidade são apenas conquistados por aqueles que teimam em não seguir o rebanho e a comportar-te segundo os padrões que a sociedade considera adequados. Entenda-se comportar-se segundo os padrões que a sociedade considera adequados como um seguidismo acéfalo de velhos dogmas que hoje — felizmente– deixaram de o ser.

Parto mais uma vez a caminho do outro lado do oceano sem mágoas e ressentimentos para com a vida que deixei para trás e sem esperar nada em troca. Espero poder regressar tantas vezes quanto possível para celebrar a amizade e uma série de coisas bonitas começadas com A e com as restantes letras do alfabeto.

Quanto ao regressar um dia: Não me vejo nos próximos anos a voltar a viver em Portugal a tempo inteiro. Pelo menos não o espero fazer sem antes cumprir uma longa viagem que vem sido adiada consecutivamente desde os tempos de secundário (final dos anos noventa)– Macau ;).

 

Adenda: Viver e partilhar o mesmo espaço com alguém é algo que impõe um equilíbrio destes dois pratos da balança, mas isto é outro assunto sobre o qual espero escrever um dia destes e em mais profundidade.

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