Feito num 31?

Os novos trintões têm medo de envelhecer. Vivem uma espécie de nostalgia de um futuro que ainda não têm. Parece-lhes tarde para tudo. Já lhes parece tarde para terem filhos, tarde para serem solteiros, tarde para ainda não serem nada profissionalmente, demasiado cedo para terem medo de envelhecer.

(…)
Os novos trintões não são só uma geração sem perspectiva com medo de emigrar pela saudade de quem deixam. Os novos trintões antecipam um futuro que ainda não têm e desenham — num silêncio cheio de equações de insegurança — a matemática do futuro, sem máquina com capacidade de calcular.

Maria Couto em Público–P3.

Aproveito este pequeno trecho que delitei do P3 para dar azo a uma pequena evasão de alma (aliás, é para isto que este blog também serve):

Já não sou um jovem na casa dos vintes mas um trintão feito num 31–a minha idade real. No entanto continuo a alimentar os meus sonhos como se fosse um jovem que terminou de entrar na universidade. Com altos e baixos pelo meio, mas continuo.

A experiência dos 31 ensinou-me a não sofrer por antecipação e a não dar nada como garantido. A experiência dos 31 ensinou-me que nem todos os dias são iguais e que cada dia deve ser visto como um exame a ser superado com distinção.

É verdade que se tivesse escolhido outros trilhos, estaria provavelmente numa situação mais confortável. Provavelmente, já seria homem casado, pai de filhos e já teria, provavelmente, comprado a minha primeira casa a prestações. Mas também é verdade que todas as escolhas que tive de fazer ao longo dos anos me permitiram uma certa realização pessoal.  E acima de tudo contribuíram para me tornar uma pessoa mais tolerante e melhor preparada para arcar com responsabilidades futuras que, ao contrário do podem estar a pensar, não se resumem apenas ao campo profissional.

Já fiz escolhas de que me orgulho. Outras de que me arrependo. Mesmo assim, continuo a preferir o risco da aventura ao comodismo da idade. Se tivesse colocado limites onde eles não existem, não estaria hoje aqui. Deste lado. Do Atlântico.

É verdade que não sei ainda se o meu futuro será por cá ou será  noutra latitude. Apenas sei que estou a adorar esta experiência de estar por cá. E isso é o que de momento interessa. Nada mais.

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