Xenofobia ao virar da esquina.

BrasileirosPretosUC

Imagem retirada do site d’O Globo.

Soube pelo jornal O Globo que está a decorrer uma campanha contra a xenofobia na Universidade de Coimbra, campanha essa que visa essencialmente estudantes brasileiros. Ao analisar a denúncia, verifiquei que esta campanha resume-se a uma recolha de frases escritas em secretárias da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC).

Este tipo de comentários xenófobos (em alguns casos chegam a roçar o jocoso) não são novidade para mim nem para ninguém. Este tipo de comentários devem-se, em muito, a uma ideia cristalizada que os Portugueses retiveram dos brasileiros a quando da vaga de emigração dos anos ’90– uma emigração exclusivamente composta por brasileiros com formação escolar mínima que, por questões de sobrevivência, tiveram que colocar a vergonha de lado e dedicar-se à mais antiga profissão do mundo- a prostituição.

Tal como tive a oportunidade de escrever recentemente, a realidade da emigração brasileira para Portugal– e na Europa, em geral– é muito diferente do que se tenta vender em alguns media europeus que, de tempos a tempos, tentam reavivar o estigma relativamente aos brasileir@s. Não nos podemos esquecer que o mesmo se passou com os emigrantes do leste europeu, onde muitas mulheres tiveram de se prostituir para pagar a redes ligadas à máfia pela sua entrada em Portugal. Falamos pois de um problema que não é exclusivo de brasileir@s e que envolve p.e. tráfico humano de pessoas, problema esse que infelizmente ainda persiste, por muito que se tente escamotear.

Da minha experiência com a realidade brasileira, primeiro como docente da Universidade de Coimbra onde leccionei a cursos onde constavam alunos do programa Ciência Sem Fronteiras, e agora como investigador/emigrante no brasil, constatei que o ‘actual brasileiro’, em especial os mais jovens, são extremamente curiosos e empenhados. Há actualmente no Imecc-Unicamp uma geração de jovens promissores que me faz lembrar a minha geração, onde muitos prosseguiram para doutoramento. Em Coimbra, e para a surpresa de alguns colegas meus, muitos dos alunos brasileiros superavam os alunos portugueses em termos de desempenho. Claro que estamos a falar de uma pequena minoria, mas não deixa de ser um dado curioso e que deve ser retido para eventuais balanços.

Off-topic: Na viagem entre Lisboa e Viracopos da passada 3a. feira (07 Janeiro 2014), viajei na companhia (entenda-se, no mesmo banco) de um jovem brasileiro que tinha acabado o curso neste último mês de Dezembro. Achei curioso ele ter-me contado que esteve em Amesterdão de férias com mãe e padrasto e que fez questão de visitar Portugal por alguns dias, mesmo sozinho. Se ele não tivesse aberto a boca, já não me lembro porque razão o fez, passaria bem por português pois vestia um pólo de Portugal com o 7 de CR7 e trazia no regaço o livro recente de Paulo Jorge de Sousa PintoOs Portugueses descobriram a Austrália?

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Um pensamento sobre “Xenofobia ao virar da esquina.

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