RTP [Internacional] vs Taxa Audiovisual.

Hoje decidi escrever sobre uma notícia que me está causar uma certa urticária, vista de fora- O aumento da contribuição audiovisual, já a partir de 2014.

Como é sabido, a RTP para além de ter arquivos audiovisuais, cujo custo de manutenção é pago pelo erário público – o que tem uma certa lógica- possui serviços de audiovisual que cada vez são menos rentáveis e que também são pagos pelo erário público, como são os casos da RTP memória, RDP e da RTP Internacional.

No caso da RTP e da RDP Internacional, o tipo de serviço público prestado não tem qualquer diferenciação com o serviço público que o português e residente em Portugal tem acesso. O principal erro de retórica passa por assumir que todo o português que vive actualmente fora de Portugal está p.e. interessado em saber qual o estado do tempo que se faz sentir em Portugal continental ou até mesmo interessado em saber o estado do trânsito na rotunda do Marquês.

Outro erro de retórica de quem gere a RTP passa por ignorar por completo a importância da lusofonia em termos de relações diplomáticas ao mais alto nível, provavelmente o que realmente interessa tanto às indústrias exportadoras como ao consumidor estrangeiro que planeia visitar Portugal [em breve].

Posto isto, penso na minha modesta opinião – como emigrante português no estrangeiro- que a haver uma reestruturação à séria na RTP, esta teria de passar pelo seguinte:

  • Taxa audiovisual deveria servir para financiar o serviço público em Portugal Continental e Ilhas;
  • Financiamento da RTP e RDP internacional deveria ser assegurado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e pelas empresas exportadoras interessadas em vender os seus produtos;
  • Arranjar uma parceria com a Portugal Telecom/Oi (actualmente detida pelo governo de Brasília) para fazer com que este serviço chegasse a mais falantes de língua portuguesa no mundo;
  • Estabelecer mais parcerias com serviços de radiodifusão em termos da lusofonia de modo a que alguns dos actuais quadros pudessem trabalhar além fronteiras ao invés de serem despedidos.

Ao par dos ucranianos, os brasileiros são das maiores comunidades imigrantes em Portugal, e muitos dos portugueses–nos quais me incluo– decidiram ou ponderam vir a emigrar para o brasil. A recente fusão da Portugal Telecom com a Oi assim como o investimento crescente da GALP no pré-sal brasileiro bem como a deslocalização da Embraer (empresa brasileira) para Évora são sinais claros e que não podem ser ignorados. Sinais de que no futuro esta crise apenas poderá ser ultrapassada se houver uma cooperação bilateral entre países de língua portuguesa.

A crise económico-financeira que se vive em Portugal e na Europa não deve ser desculpa para adiar discutir soluções viáveis e mais ambiciosas que visem a melhorar a qualidade de serviço público que permitam mitigar a onda de despedimentos e cortes anunciados. Acresce que os laços culturais que ligam p.e. Portugal e Brasil são mais fortes do que se possa imaginar à primeira vista. Já tive uma prova cabal disso quando encontrei na semana passada uma funcionária da UNICAMP com um livro de Almeida Garrett no regaço-Viagens na Minha Terra.

O debate está lançado!

Adenda: Gostaria que deixassem as vossas opiniões em comentário.

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4 pensamentos sobre “RTP [Internacional] vs Taxa Audiovisual.

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