Good Mathematician vs. Great Mathematician

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“Azedume, amargura e ressentimento”?

Este texto de autoria de Pedro Santos Guerreiro (PSG) no Jornal Expresso e transcrito no blog “A Estátua de Sal” revela bem o estado de sítio a que chegou a política em Portugal. Entre arriscar — coisa que o português continua a ter medo — e continuar a votar em mais do mesmo, o português comum prefere ser o típico treinador de bancada, que diz sempre mal da equipa mas ao mesmo tempo continua a apoiá-la entusiasticamente.

Esta é uma entre várias razões pelas quais não me vou dar ao trabalho de votar nas próximas eleições legislativas. Nas presidenciais, logo se vê.

A Estátua de Sal

(Pedro Santos Guerreiro, in Expresso Diário, 17/08/2015)

Pedro Santos Guerreiro                  Pedro Santos Guerreiro

Retirado do site do PSD: “Na parte do discurso que ‘arrancou’ mais palmas, Passos Coelho pediu ainda aos portugueses para que decidam com «a cabeça e com o coração», colocando de parte qualquer «azedume, amargura e ressentimento».”

Azedume porquê? Amargura com o quê? Ressentimento em relação a quem?

Por a economia portuguesa ter crescido em média 0,3% nos últimos 15 anos?

Por termos uma taxa de desemprego nos 12% que só voltará aos níveis pré-crise daqui a 20 anos?

Por termos uma dívida pública acima dos 120%, primeiro escondida dos números depois falhada nas metas?

Por termos austeridade permanente em sucessivas medidas temporárias?

Por termos impostos elevados, reformas e salários do Estado cortados, ao contrário do garantido em campanha?

Por termos o salário líquido reduzido mas também o salário bruto cada vez menor, um em cada cinco assalariados a…

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Intermezzo por Portugal.

Miguel Esteves Cardoso (MEC) no Público de hoje (17 de agosto de 2015)
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/doce-recolhimento-1705141

O recolhimento em casa, seja sozinho ou com a única pessoa que se ama, é uma fuga para o princípio da viagem. Voltar a casa é a maior viagem de todas. Basta um dia num lugar, perto de casa, onde se “está em casa” sem se estar, para perceber que só em casa, sozinho ou sozinhos, é que se está bem.

Como eu entendo o MEC…

Astrolábio

20150806_125114 Algures em Óbidos (Portugal).

Estou de férias em Portugal e a semanas de voltar novamente a Campinas. E já sinto saudades!

Esta frase, com os devidos enviezamentos, poderia ser atribuída a qualquer emigrante que se encontre a passar férias por cá e já a pensar quando virá cá no próximo ano. Decidi escolhê-la pois esta adequa-se ao meu momento atual. Mas num contexto mais onírico.

Com a excepção de três dias em que andei a ciceronear uma amiga brasileira, que se encontra de visita a Portugal, tenho optado por estar isolado do mundo, de modo a recarregar baterias para os desafios que se avizinham, já no início do próximo mês.

Onde me encontro não existem lojas, restaurantes, tampouco magotes de pessoas comuns que decidiram acampar de toalha e chinelo nos areais. Existe sim espaço para me evadir e silêncio para me concentrar no planejamento dos próximos passos. Nos intervalos tenho tido…

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“A crise hídrica nos centros urbanos”

Publicado no site globo.com (11 de agosto de 2015):

“O nível dos reservatórios do Sistema Cantareira, o mais afetado pela crise hídrica, caiu pela décima vez consecutiva no mês de agosto e opera com 17,7% da sua capacidade nesta terça-feira (11), segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
Os demais sistemas que abastecem a Grande São Paulo também registraram nova queda. Agosto é considerado o mês mais seco do ano, e os índices de chuva estão abaixo do mesmo período em 2014, quando houve a pior estiagem da história de São Paulo.”

Fonte: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/08/tce-culpa-governo-de-sp-por-crise-hidrica-e-diz-que-faltou-planejamento.html

Astrolábio

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“A miscigenação social”

Vale a pena fazer uma pausa no caos político e económico, fruto da guerra entre um grupo de irresponsáveis, liderado pelo presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, e uma presidente falha de competências e desfrutar das tentativas de mestiçagem socioeconómica em curso.

Essa mestiçagem aparece em forma de notícias de jornal. Conta a Folha de São Paulo que, segundo o Plano Diretor do vanguardista, mas incompreendido, prefeito de São Paulo Fernando Haddad, vão avançar mais ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social). As ZEIS são áreas de habitação social dentro dos bairros nobres da cidade.

O objetivo é transformar São Paulo cada vez menos numa cidade de guetos, em que os ricos moram no anel mais próximo do centro, as empregadas dos ricos no anel seguinte, as empregadas das empregadas dos ricos no seguinte e assim sucessivamente numa espécie de galáxia urbana excludente.

Claro que o foco da notícia está no facto dos moradores mais pobres dos bairros mais ricos terem de percorrer quilómetros para fazer compras num supermercado acessível ao seu bolso porque os preços do comércio da região são proibitivos. Ainda há séculos de desigualdade a combater mas, como diz um secretário de Haddad, o que esses habitantes poupam (em tempo e dinheiro) nos transportes para ir para os trabalhos compensa.

João Almeida Moreira em Dinheiro Vivo.

Já estive por São Paulo por diversas ocasiões. Uma delas em trabalho, a participar numa conferência que decorreu na Universidade de São Paulo. Numa outra em lazer, a assistir a uma jornada da Taça Davis.

Na primeira vez, ficando alojado num hotel perto do rio Tietê, fui presenteado pelo mau cheiro de esgoto a céu aberto que este se tornou. Na segunda ocasião, como já tive oportunidade de relatar, fiquei localizado nas imediações do parque Ibirapuera, o pulmão desta cidade de contrastes.

Dos poucos jornalistas portugueses que escrevem sobre o Brasil, a opinião do João Almeida é sempre um farol no meio do nevoeiro que abunda nas televisões e jornais portugueses sobre a Operação Lava Jato. Do Brasil é melhor nem falar pois as notícias veiculadas nos media tem contornos de filmes policiais.

Felizmente nem tudo é mau. O Brasil não tem apenas corruptos e políticos irresponsáveis. Tem também Sílvio Santos e pegadinhas com a sua assinatura no seu canal (SBT).

A do Demônio Lança-Chamas, que tomei a liberdade de partilhar abaixo, aparece um Satanás com um maçarico em chamas a perseguir pessoas nas proximidades do metro de São Paulo. A título de curiosidade, esta pegadinha passou na SBT no mesmo dia em que passou na Record — estação de TV da qual Sílvio Santos já foi dono — uma entrevista de pouco mais de 30 minutos, na qual se deu o reencontro de Sílvio Santos com o Bispo Edir Madeiro (atual dono da Record) no Templo de Salomão, em São Paulo.

Haja sentido de humor ^_^.

Adenda: Soube à pouco que a TV Cultura se encontra sem verbas e encontra-se em risco de fechar. De lamentar…

Intermezzo por Portugal.

20150806_125114

Algures em Óbidos (Portugal).

Estou de férias em Portugal e a semanas de voltar novamente a Campinas. E já sinto saudades!

Esta frase, com os devidos enviezamentos, poderia ser atribuída a qualquer emigrante que se encontre a passar férias por cá e já a pensar quando virá cá no próximo ano. Decidi escolhê-la pois esta adequa-se ao meu momento atual. Mas num contexto mais onírico.

Com a excepção de três dias em que andei a ciceronear uma amiga brasileira, que se encontra de visita a Portugal, tenho optado por estar isolado do mundo, de modo a recarregar baterias para os desafios que se avizinham, já no início do próximo mês.

Onde me encontro não existem lojas, restaurantes, tampouco magotes de pessoas comuns que decidiram acampar de toalha e chinelo nos areais. Existe sim espaço para me evadir e silêncio para me concentrar no planejamento dos próximos passos. Nos intervalos tenho tido tempo para passear pelo meu pedaço na companhia dos animais da casa (entenda-se cães).

As manhãs têm sido aproveitadas para dormir até mais tarde. Os fins de tarde e os inícios da noite têm sido ótimos para ir à rua contemplar as estrelas, de modo a ganhar fôlego para continuar a trabalhar madrugada dentro. É desta vidinha no conforto do meu pedaço que vou sentir saudades, se é que me faço entender.

Mesmo estando a trabalhar, as férias são para ser aproveitadas da melhor forma. Quando elas terminarem, regressam as rotinas para pôr a minha paciência à prova. Um hábito mitigado pelas deslocações prazerozas de bicicleta entre casa e universidade e pelos almoços demorados com os meus companheiros de Instituto.

Programado que está o meu regresso a Portugal para as férias natalinas, os próximos tempos em terras de Vera Cruz vão ser passados a decidir qual será a próxima etapa na minha carreira.

Embora o regresso de armas e bagagens a Portugal e/ou à Europa tenha sido equacionado, o mais provável é que continue pelo outro lado do Atlântico.

Gosto muito de Portugal e dos bons amigos que cá deixei. Mas também gosto do Brasil e da vida que lá levo.

Breves Reflexões sobre Emigração.

Se você acha que a vida tem sido injusta com você, que lhe faltam oportunidades, ou que não lhe dão o devido valor, faça o seguinte: pegue numa cana de pesca e tente viver apenas do que o mar lhe dá“. © Nelson Faustino

  1. Emigrar não é ir tirar férias ali ao lado. Habituem-se a que vos perguntem “mas o que é que você está aqui a fazer?”
  2. Quem está fora tem de mostrar que é uma mais valia para o país acolhedor.
  3. Têm de desvirtuar o estereótipo que as pessoas têm, em geral, do português (ou do portuga, como se diz aqui no Brasil).
  4. Têm de dar uma boa imagem de Portugal e das instituições onde obtiveram formação. O vosso sucesso está intrinsecamente ligado a estas e vice-versa.
  5. Contrair dívidas e não as pagar é o aspecto ‘materialista’ que deve ser tomado em linha de conta por aqueles que emigram e fazem intenção em continuar neste país de acolhimento.

    e por fim …

  6. Habituem-se a ‘ir à pesca’ pois fora de portas o vosso emprego não está garantido à partida. Tão pouco têm direito assegurado ao subsídio de desemprego.

Em suma:  Emigrar vale a pena pela aventura e pelo aprendizado que desta experiência se retira. Quanto ao que se escreve em jornais, não devem dar demasiado crédito. Para terem opiniões bem formadas sobre o assunto emigração, nada como perguntar diretamente aos vossos amigos e/ou conhecidos que estão fora de portas. A mim, por exemplo, via e-mail, caso tenham algumas questões a colocar sobre o Brasil.